sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Overrated ou Underrated? #4 - Daniel Bryan

Na última semana foi Bret Hart o alvo de análise. Hoje trazemos-vos Daniel Bryan. E o motivo da escolha, como calculam, não é propriamente feliz. Como já sabem, fazemos parte do Forum de Pro Wrestling, que é um espaço humilde já com sete anos de existência, sendo que actualmente é o melhor ( e único) forum nacional dedicado ao wrestling.

Temos portanto agora de apresentar este espaço a quem nunca leu um Overrated ou Underrated ou simplesmente está esquecido da essência deste espaço. Aqui, eu e o André Ribeiro iremos dar a nossa opinião sobre um determinado lutador e iremos tentar enquadra-lo correctamente numa destas três categorias:

Underrated - Alguém que é subvalorizado ou não têm o devido reconhecimento seja aos olhos da industria do wrestling ou até dos fãs.

Overrated - Precisamente o contrário do ponto anterior. Alguém que é sobrevalorizado e que a industria do wrestling ou fãs dão demasiado crédito por aquilo que faz.

No Ponto - Nem toda a gente ocupa um lugar acima ou abaixo daquilo que realmente merece. Existem lutadores que ocupam o lugar que ocupam na industria porque é exactamente nesse sitio que merecem estar e têm também exactamente o reconhecimento que merecem da parte dos fãs.

Por fim, gostaríamos sempre de saber a vossa opinião, quer concordem ou discordem do nosso juízo sobre o wrestler em questão. Tentem também coloca-lo numa destas três categorias e caso se sintam à vontade podem sempre dar sugestões sobre wrestlers que gostariam de ver neste espaço.


Como dito no primeiro parágrafo, Daniel Bryan é hoje o nosso "tema", por assim dizer, graças a uma notícia menos boa. Um dos wrestlers mais influentes da WWE nos últimos anos está de saída. Não da WWE, mas do wrestling em si. Depois da retirada, cabe-nos a nós fazer esta espécie de julgamento.

André Ribeiro (Underrated) - Quando olho para os últimos 10-15 anos é muito difícil encontrar alguém tão completo e versátil no ringue como o Bryan. Isto porque Bryan conseguiu ter clássicos com inúmeros wrestlers como Nigel McGuiness, Roderick Strong, KENTA, CM Punk, Morishima, Aries, Cena, Orton, Triple H, Ziggler, Rolllins, Hero, Cesaro. A lista é muito extensa e os combates são super diversos, pois dentro do ringue Bryan tanto era capaz de ter uma brawl, como uma batalha técnica, como ser um underdog, como ser um heel odiado, ter um combate a um ritmo super elevado, como a um ritmo mais calmo. Bryan sempre foi um lutador muito inteligente e é provavelmente o maior génio in-ring dentro do ringue dos últimos anos.

Mas fora do ringue, Bryan acaba por ser subvalorizado. Tudo bem que ele não é um dos melhores promos de sempre, mas sempre conseguiu ser um prommer consistente que aqui e ali apresentava excelentes promos. A sua promo de despedida, o Raw em que ele e os seus fãs invadem o Raw, os seus segmentos com Kane. E Bryan conseguia apresentar boas promos seja como heel ou como babyface.

Talvez, o ponto fraco de Bryan seja claramente o seu look, mas mesmo assim nunca foi completamente descuidado. Esteve sempre numa boa forma e conseguia reinventar a sua personagem e escolher o look que mais se adequava, quer nas indies quer na E'.

Bryan teve uma carreira brilhante desde o principio ao fim e será sem dúvida um futuro Hall of Famer mas acima de tudo é uma Lenda de Wrestling. Bryan reforma-se demasiado cedo, mas deixa um legado enorme, provou que lutadores mais pequenos podem singrar em companhias como a E' se forem realmente bons e abriu a porta a inúmeros talentos que se encontram agora no NXT ou no main roster. Infelizmente a maior parte dos fãs só lhe começou a dar o devido valor nos últimos anos de carreira e alguns só se aperceberam que ele era realmente muito bom quando se reformou.

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Moore (Underrated) - Portanto os dois temos a mesma opinião. Eu acredito que ela não é consensual à da maioria dos leitores. Acredito que vocês acham que o Bryan está/esteve no ponto.

Porém, eu utilizo quase sem tirar nem por os mesmos argumentos que o A. Ribeiro. Ele tem razão em todo o seu primeiro parágrafo. Quer nas indies, quer no Japão, quer na WWE o Danielson teve um sem-número de combates dignos de registo entre os melhores de sempre. E sempre foi um grande ringmaster, com noção de ringue e com uma psicologia excelente que fez dele o melhor submission specialist da sua geração. Isso fazia com que ele fosse capaz de carregar um combate contra quase qualquer um.

Nas indies sobretudo um combate seu era algo especial. Na WWE o seu in-ring style foi deveras limitado, é verdade, mas também muitos concordarão comigo aqui: ele era o melhor wrestler do roster, ainda com essas limitações.

A tudo isto junta-se o enorme talento de Bryan em causar reação num público e é aí que eu, tal como o meu colega de espaço, acho o Bryan tremendamente subvalorizado. Como prommer era bom e bastava algo de diferente para explodir na WWE. Esse algo foi o seu papel de underdog, construído desde a Wrestlemania XXVIII.

Talvez aqui pareça que tenho aqui um paradoxo, porque não fossem os higher powers e a construção do Bryan nunca teria chegado onde chegou, apesar de ela ter começado quase à força. Mas a verdade é que a certo ponto o homem esteve tremendamente às aranhas quando se pedia apenas o Danielson no topo. E o motivo disso era simples: a figura de autoridade estava na oposição como heel, o Bryan puxava bem o seu público e justificava no ringue e para mais o sumo da rivalidade era de fácil empatia: o Danielson era um moço mais pequeno que o que a Authority queria no topo.

Ele teve uma Wrestlemania inteira quase construída à volta dele. Sim, teve. Mas a questão é que desde o Steve Austin o Daniel foi o wrestler do povo (sim, isso era o The Rock, mas eu sei do que falo) mais importante e podia ter sido o key player da WWE por mais uns cinco anos. Claro que as lesões não o deixariam, mas o booking também não estava para aí virado...

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Chegamos portanto ao final da quarta edição "Overrated ou Underrated?" e gostaríamos agora de saber a vossa opinião - será que o "YES Man" é um lutador Overrated ou Underrated?

Lucha Underground S2 - 10.02.2016 | Vídeos + Resultados


Com o enorme sucesso da primeira temporada, a promotora de Lucha Libre, AAA volta a entrar no mercado norte-americano com o seu programa, Lucha Underground! Este projecto é um híbrido entre a Lucha Libre e o wrestling norte-americano e que apresenta lutadores dos dois estilos. O episódio desta semana conta com um "Last Luchador Standing Match" onde o Gift of The Gods Champion King Cuerno enfrenta o seu rival Fenix.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

WWE NXT 10.02.2016 | Vídeos + Resultados


O episódio desta semana do NXT tem como destaque um combate pelo NXT Women's Championship onde Bayley defende contra a vencedora da "Battle Royal" de há umas semanas atrás, Carmella. Para além disso, também teremos Baron Corbin em ação contra Johnny Gargano, assim como os Hype Bros, Alexa Bliss e Elias Sampson estarão em ação também.

Queen Of The Ring #4 - La Primera Lucha

Hoje vou fugir do meu tema habitual, da minha comfort zone se assim lhe quiserem chamar, e vou falar, pela primeira vez, da companhia/show de wrestling mais falada do momento, sim essa que faz eco desde Boyle Heights na Califórnia, Lucha Underground. 


A minha procura por companhias “alternativas”, subentende-se alternativa a quê, já vem de há alguns anos maioritariamente por uma aguçada curiosidade e por, chamemos-lhe, necessidade de algo mais. Algo diferente. Algo inovador. Por estas andanças de procura de outros territórios tornei-me especialmente fã de PWG, uma companhia que até agora nunca me desiludiu e continua a ser uma das minhas favoritas. No entanto era impossível ignorar o quanto a Lucha Underground se tornou popular e aclamada e eu tinha de ver por mim própria de onde vinha tanto hype em relação a este franchise. Assim sendo, aqui vamos a uma espécie de first impression da Lucha Underground.

A arena é o primeiro ponto que tenho de focar, porque todos sabemos da importância de ter o cenário perfeito. O templo que se apresenta com luminosidade reduzida e o foco no ringue, com um ar de puro underground, fazendo jus ao seu nome, onde tudo em redor pode ser usado durante um combate, é o espaço que faz a conexão perfeita entre o show, o público e o produto desta companhia. Não há grandes efeitos nem grandes adereços, apenas o essencial, um cenário quase nu e cru, reflectindo a dureza daquilo que se passa dentro desta arena ou templo. É perfeito e a proximidade entre o público e o ringue é algo que também aprecio, permite aos fãs sentirem que fazem parte do espectáculo e não apenas serem meros espectadores. 


E todo este cenário assenta, a meu ver, na primeira impressão que tiro de Lucha Underground que é uma espécie de clube de luta quase ilegal. Um clube secreto onde não chegam todos e onde só subsistem os mais fortes e mais dignos. Todos lutam como que a escalar uma montanha para ser o melhor. Também a forma como as diferentes lutas vão sendo anunciadas aqui e ali e mudanças repentinas de estipulações ou adição de lutadores a um determinado combate, aliam um perfeito sentido de caos a uma imprevisibilidade que como fã de wrestling certamente aprecio porque isso é um factor, pelo menos para mim, muito importante e algo perdido nas companhias mais badaladas.

Sem dúvida que as promos, principalmente dos segmentos mais trabalhados para mim foram uma surpresa agradável porque tornam esta franchise difícil de definir porque, é uma companhia de wrestling, mas parece uma série com as diversas apresentações que vão sendo feitas no desenrolar das storylines. Uma coisa que me cativou nessas apresentações foi o facto de parecerem extremamente bem feitas, bem conseguidas, digo melhor, parecem ser “reais” no sentido da naturalidade com que foram filmadas e quão bem resultam.

E finalmente a melhor parte, as luchas. Apesar de já ver wrestling há vários anos penso que não seria fácil fazer uma compilação de lutas tão poderosas como aquelas que são apresentadas neste templo. Basicamente temos tudo aquilo que qualquer entusiasta e fã de wrestling poderia querer, atletas de qualidade, tanto masculinos e femininos e aqui faço um parênteses para revelar que é muito positivo, a meu ver, ter talentos femininos a competir ao mesmo nível, em igualdade, com os talentos masculinos, sem deixarem nada a desejar. 


Muitas estipulações que uma pessoa adora ver e infelizmente noutros lados não vê tão frequentemente, steel cage match, casket match, ladder match, um absolutamente incrível Aztec Warfare match pelo primeiríssimo Lucha Underground Championship, falls count anywhere match, entre muitos outros combates absolutamente fenomenais mesmo sem estipulações. Histórias contadas dentro do ringue, do início ao fim dos combates.

Além disso, aqui, há diversas inovações e algumas bem destacadas nomeadamente o facto de termos equipas não de 2 mas de 3 elementos para os quais foi criado o Lucha Underground Trios Championship. É uma grande diferença em relação ao "habitual" e que na minha ideia resulta perfeitamente e é extremamente lógico, porque se são 3 então é natural ser um título de trios (e não, não estou a querer mandar bocas para outro lado!). O que sempre mais me entusiasmou em lutas de equipas é o caos que reina, uma espécie de pessoas a aparecer de todo o lado do nada e esse efeito é ainda melhor conseguido com trios do que com duplas. 


Um outro destaque tem de ser o Gift of The Gods Championship, basicamente um título que garante a oportunidade por um combate pelo título principal da Lucha Underground em qualquer altura, eu sei que isto faz lembrar alguma coisa, mas aqui as coisas são bem feitas e não há o chamado wasteland que se vê nessa outra paragem que estão precisamente a pensar. A "construção" do título por assim dizer foi fantástica, a união de 7 medalhões representativos das sete tribos dos Astecas e que juntos, num só título, dão ao seu portador um “gift of the gods” pela possibilidade de lutar pelo título soberano. A primeira etapa era a conquista de um medalhão que dava acesso ao combate final onde se soube seria pelo recém criado Gift of The Gods Championship. Isto para mim foi de uma elaboração tremenda que encaixa na perfeição em todo o ambiente misterioso que a Lucha Underground apresenta.

As lutas são fantásticas, as promoções ao longo dos episódios são igualmente cativantes, e todas as storylines desenvolvidas juntamente com a originalidade na criação dos títulos em vigor transformam um puzzle grandioso onde todas as peças encaixam na perfeição e é um deleite poder assistir a isto tudo. É de uma originalidade soberba. 

Todos os episódios que vi, mais a adição da recém estreada segunda temporada fizeram de mim uma nova fã de Lucha Underground. Fiquei efectivamente “agarrada” e vou querer ficar para ver mais do que aí vem e aconselho vivamente a quem ainda não viu a fazê-lo rapidamente, because you are missing out.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Puroresu Channel 2016 IV - NOAH Great Voyage 2016 in Yokohama


É o regresso do Puroresu Channel com o melhor do puroresu. Esta semana apresentamos um show da BJW e um da NOAH. O grande destaque da semana vai para o combate entre Takashi Sugiura e Naomichi Marufuji.

BJW 
2/2/2016 - Shin-Kiba 1st ring
338 Fãs

1. Kankuro  Hoshino & Masato Inaba x Jaki Numazawa & Yuichi Taniguchi
2. Daichi Hashimoto, Kazuki Hashimoto & Takumi Tsukamoto x Atsushi Maruyama, Masaya Takahashi & Toshiyuki Sakuda
3. Seiya Sanada x Tatsuhiko Yoshino
4. Abdullah Kobayashi & Masashi Takeda x Isami Kodaka & Yuko Miyamoto
5. Daisuke Sekimoto & Yoshihisa Uto x Hideyoshi Kamitani & Kazumi Kikuta
6. Ryuji Ito, Hercules Senga, Tsutomu Oosugi & Yuji Okabayashi x Brahman Kei, Brahman Shu, Shinobu & Takayuki Ueki



NOAH Great Voyage 2016 in Yokohama
31/1/2016 - Yokohama Cultural Gymnasium
2573 Fãs

1. Genba Hirayanagi, Hajime Ohara, Quiet Storm & Yoshihiro Takayama x Akitoshi Saito, Hitoshi Kumano, Kaito Kitomiya & Yoshinari Ogawa
2. Yoshinobu Kanemaru x El Desperado
3. Shelton Benjamin x Mitsuhiro Kitamiya
4. Maybach Taniguchi x Takashi Iizuka
5. GHC Junior Heavyweight Tag Team Title Match: Atsushi Kotoge & Daisuke Harada x Taichi & TAKA Michinoku
6. GHC Junior Heavyweight Title Match: Taiji Ishimori x Kenou
7. GHC Tag Team Title Match: Davey Boy Smith Jr. & Lance Archer x Katsuhiko Nakajima & Mohammed Yone
8. Minoru Suzuki x Go Shiozaki
9. GHC Heavyweight Title Match: Takashi Sugiura x Naomichi Marufuji

WWE Total Divas 09.02.2016 | 5ª Temporada (4º Episódio)


A WWE volta a apostar nos reality shows e desta vez num show dedicado às Divas da companhia, o Total Divas. Depois do sucesso de 4 temporadas, o Total Divas regressa com novos episódios. Em destaque estão Natalya e as Bellas Twins nos seus relacionamentos com estrelas da WWE bem como a estreia de Amanda (uma das participantes do Tough Enough de 2015) no programa...

TNA Impact Wrestling 09.02.2016 | Vídeos


Este episódio do IMPACT Wrestling no novo canal, Pop TV tem como destaque a continuação do "Kurt Angle Farewell Tour", onde numa desforra de há umas semanas atrás, teremos Kurt Angle a enfrentar Drew Galloway. Para além disso, também ocorre a defesa do TNA X-Division Championship, onde numa desforra da semana passada, o novo campeão Trevor Lee defende contra Tigre Uno.

Pro Wrestling in Pictures (272) 4 ever Daniel Bryan!!

Mais um Pro Wrestling in Pictures que tem por objectivo mostrar o melhor e o pior do wrestling basicamente em imagens mas sempre com um toque de humor presente e hoje com uma edição diversificada! Relembro se quiserem podem enviar as vossas fotos para wrestlingnoticias@gmail.com que as melhores serão publicadas...


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

King of...Themes #4 | Bryan Danielson vs. CM Punk




Na última edição do King of Themes, o vencedor da batalha entre Becky Lynch, Sasha Banks e Asuka foi o "Celtic Invasion" de Becky Lynch!


Becky Lynch - "Celtic Invasion" - 8 votos
vs
Sasha Banks - "Sky Is The Limit" -  4 votos
vs
Asuka - "The Future" - 1 voto
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Na eliminatória de hoje, teremos um duelo entre o "The Final Countdown" de Bryan Danielson e o "Cult of Personality" de CM Punk,



Bryan Danielson - "The Final Countdown"

Vs.

CM Punk  - "Cult of Personality"



Votem já no vosso tema favorito!



Já qualificados:

Finn Bálor "Catch Your Breath"
Nexus - We Are One"
Becky Lynch - "Celtic Invasion"

Brock Lesnar: Death Clutch - Parte III (Cap. 22) | Literatura Wrestling


Com o objetivo de divulgar histórias contadas pelos próprios lutadores em livros adaptados e traduzidos pelos colaboradores deste blog, a Literatura Wrestling trás, nestes próximos meses, toda a vida de uma das estrelas mais conhecidas no mundo do wrestling atualmente num só livro.

Semanalmente será publicado uma parte do livro "Brock Lesnar: Death Clutch", escrito e publicado em 2011 pelo próprio Brock e por seu amigo de longa data, Paul Heyman, começando pelo prefácio e acabando nos agradecimentos (parte final do livro). Esperemos que gostem das histórias!


Parte III: A Espada na Minha Garganta
A MINHA BREVE EXPERIÊNCIA NA NFL

Após sair da WWE na Primavera de 2004, eu comecei a perseguir uma carreira na NFL. Mas não fazia diferença qual o desporto que iria perseguir. Eu estava a escapar do estilo de vida da WWE. A NFL fazia sentido para mim. Era uma competição legítima e eu queria competir.

Eu fui procurar um agente de futebol americano, e a primeira pessoa para a qual liguei era alguém chamado Mike Morris, que foi um long-snapper (responsável por fazer o passe para o Quarterback) durante muito tempo pelos Minnesota Vikings. Na altura que eu estava a fazer wrestling pelos Gophers, eu conheci Mike através da Sociedade dos Atletas Cristãos. Eu fui convidado para levantar pesos no seu ginásio MILO. Aquele ginásio ganhou muita notoriedade, porque Mike falava sobre ele o tempo todo no programa de rádio KFAN em Minneapolis. Caso estejam a pensar sobre isso, MILO significa “Mike’s Insane Lifting Order” (Ordem Insana de Levantamento de Peso de Mike).

Mike Morris e eu combinávamos perfeitamente, porque nós éramos duas pessoas que adoravam aumentar a música do ginásio e fazer agachamentos até os nossos narizes sangrarem. A minha rotina de treinos com pesos na Universidade de Minnesota era o meu próprio programa, e eu comecei a treinar com Mike entre o meu primeiro ano e o último ano. Eu procurei por Mike porque ele fez sucesso, tinha uma boa família, bons filhos, uma boa esposa, uma vida muito decente.

O ginásio MILO ficava na cave da casa de Mike. Toda a sua cave era um ginásio. Desde que eu conheci Mike, ele sabia que podia ser honesto comigo. Naquele primeiro telefonema, ele não conseguia acreditar que eu estava de saída da WWE. “Tu deves estar maluco!” disse ele. “Tu queres sair de um negócio certo, milhões de dólares garantidos durante dez anos, para que possas ir atrás de algo em que há uma probabilidade de talvez 50%de oportunidades de conseguires fazer a transição? Tu não jogas futebol americano desde a faculdade!”

Eu apreciei a honestidade dele.

Eu disse a Mike que estava sério. Eu tinha saltado do comboio e acabei tudo com a WWE. Eu queria perseguir esse objetivo, e iria dar tudo de mim. Mike aceitou tudo o que disse a ele, e ele disse que está 100% comigo. E ele provou que aquilo era verdade, porque apresentou-me a John Wolf, que era representante de alguns jogadores da NBA e da NFL, mas que agora estava fora dos negócios. Ele falou de mim a Ed Hitchcock.

Ed era um rapaz de Minnesota, um graduado da Universidade de Minnesota e agente desportivo.Eu gostei dele, e nós começamos a trabalhar imediatamente. Ed idealizou este plano de jogo. “Tu tens de ficar em forma para o futebol,” disse-me ele, “então nós precisamos de enviar-te ao Arizona o mais rápido possível. Lá há uma instalação chamada Athlete’s Performance, onde todos os jogadores de topo da NFL e todos os atletas de topo no mundo vão.”

Eu segui o conselho de Ed e fui para o sul. Quando eu lá cheguei, uma das primeiras pessoas que eu conheci foi umrapaz do centro-oeste chamado Luke Richesson. Ele cresceu na fronteira Kansas-Missouri, e era um dos treinadores. Luke fez um pouco de wrestling e jogou futebol americano na faculdade, mas faltava-lhe tamanho. Luke era mais do que feito para isso, entretanto,porque ele era como dinamite.

Hoje, Luke é o treinador físico do Jacksonville Jaguars, e também é o meu treinador e condicionador físico. Eu considero Luke um dos membros vitais do Team Death Clutch.

Quando fui para Phoenix, eu fiquei no Marriott por algum tempo, mas aquilo era algo que me trouxe velhas lembranças. Era como estar de volta ao negócio do wrestling que tinha acabado de escapar, a dormir num hotel todas as noites. Então eu aluguei um condomínio e comecei a entrar de cabeça no jogo.

Eu acordava todos os dias, tomava o café da manhã, e fazia tudo oque estava no programa de condicionamento de Luke. Toda a minha vida foi sobre exercitar o corpo.Entretanto, Rena ainda estava na estrada com a WWE,e ela estava a voar para Phoenix para ficar comigo. Não me agradava mais o facto de ela estar naquele ambiente. Eu já sabia que ela era a mulher com quem eu queria estar para o resto da minha vida, mas ela ainda não estava pronta para abandonar a sua carreira.

Creio que eu não posso culpar Rena por não ter saído quando eu saí. Nós não éramos casados, eu tinha acabado de me tornar desempregado, e as probabilidades para alguém que nunca jogou futebol americano na universidade entrar para o roster da NFL não eram boas. Mas nada disso impediu que eu tentasse fazê-la sair de lá.

Eu odiava quando Rena estava na estrada. Havia muita testosterona demais no negócio, e eu estava preocupado que algum imbecil pudesse fazer-lhe ou dizer-lhe algo.Mas Rena é uma mulher notável, e ela pode cuidar de si mesma.Ela finalmente deixou a WWE, mas não porque estavam a tratá-la de forma errada ou algo do género. Ela não fez isso porque a desrespeitaram. Ela saiu por mim. A minha esposa é uma mulher incrível.

Treinar para uma carreira de jogador de futebol americano que eu ainda não tinha conseguido era um pouco estranho para mim.A minha vida inteira era numa prisão, mas tudo estava a parecer bem. Eu estava a ficar em forma para o futebol americano, e os resultados dos meus exercícios estavam para além das expectativas para velocidade, força e agilidade. Em testes diretos, eu estava a deixar os atletas da NFL para trás, e eu estava a ser notado.

Eu estava a caminho do meu dia como um pro, onde as equipas estavam programadas para vir e me observarem a exercitar-me. Eu tinha programado fazer o meu treino de seis semanas,fazer o meu dia como um pro, depois voar para casa e ver a minha filha. Tudo estava a ir muito bem—até 19 de Abril de 2004.

Eu tinha deixado a minha moto na loja de customização “Crazy’s” de um amigo meu em Minneapolis. Era uma chopper Harley, e ele estava a modificar para torná-la numa moto intimidadora. Eu não conseguia pensar em mais nada. Eu devo ter gasto $70.000 naquela máquina.

Quando eu cheguei a casa, começou por ser um grande dia. Mya estava comigo e eu estava a brincar com ela no sofá. O meu velho colega de quarto da faculdade, Jesse Sabot, e o seu irmão estavam de visita, e o meu irmão estava a viver na minha cave. Eu gostava de ter todas estas boas pessoas à minha volta.

Então eu decidi ir pegar a minha moto e ver o que o Crazy tinha feito com ela.Eu estava maravilhado. Eu era o Rei das Estradas naquela coisa.

Eu saí a rasgar pelo estacionamento do Crazy no centro de Minneapolis e fui para casa. Toda a minha agenda para a semana consistia em relaxar, recuperar da semana de treinos e passar o resto do tempo com Mya. Uma bela viagem de moto num belo dia parecia a melhor prescrição para mim.

Jesse e o seu irmão, o meu irmão e o resto do pessoal vieram ver a minha moto, e eles estavam a seguir-me até à casa.Quando eu estava a exibir-me enquanto deixávamos o estacionamento, o pneu traseiro deu um impulso, e eu percebi que algo muito sério estava a acontecer com a moto.

Eu passei direto pela intersecção, e vi que a luz estava a mudar de vermelho para verde, enquanto eu acelerava pela rua.Bem à frente eu vi este carro, e parecia que ele iria seguir sempre em frente, e havia uma carrinha à frente do carro, que iria fazer a curva na faixa na minha frente. Eu planeei ficar atrás da carrinha e fazer a mesma manobra. Mas assim de repente, a mulher que estava a conduzir a mini-carrinha que quase me matou decidiu cortar a minha frente e tirar-me da curva, o que me deixou sem ter para onde ir. Ela estava mesmo ao pé de mim e ao aproximar, a carrinha estava à minha frente a bloquear a curva, havia muito trânsito na outra direção, e havia trânsito atrás de mim. Eu não tinha para onde ir, e quando eu acionei os travões, não ajudou em muita coisa.Parecia que tudo estava a acontecer em câmera lenta.Eu estava a mais de 70 km em uma via de 40 km. No momento em que eu atingi a carrinha, eu consegui diminuir para apenas 60 km.

Eu fui de cara contra a mini-carrinha e depois para cima da mini-carrinha. A minha moto foi por baixo. Dividiu-se em três pedaços.

Após eu cair no chão e parar de girar, eu fiquei de pé e fui para o passei. Eu estava cheio de adrenalina, e estava a pensar em como eu tive sorte. Eu recordo-me de sentir uma dor aguda na minha área abdominal quando eu atingi a carrinha, mas eu não fazia ideia de que eu teria deslocado o queixo, além de oito ossos na minha mão esquerda. Eu também não sabia que aquela dor aguda que eu senti eram os meus músculos da virilha a deslocarem-se dos ossos. A dor não tinha começado até que a ambulância e os polícias chegaram. Eu descobri depois que os guiadores da minha moto tinham atingido o osso púbico a 60 km.

O meu irmão estava a dizer aos médicos, “Ele está bem, está tudo ok!,” mas assim que eu me sentei, descobri que não tinha apenas destruído a minha moto, eu tinha destruído o meu corpo também. Ainda assim, eu não quis entrar na ambulância para ir ao hospital, portanto Jesse levou-me até lá.

Eles disseram-me no hospital que não estava a sangrar internamente, mas eles fizeram uma lista das lesões que eu realmente tive. Queixo deslocado. Mão esquerda fraturada. Pelvis lesionado. Magoei a minha virilha tão severamente, que é doloroso para mim até mesmo listá-lo aqui seis anos depois. Eu tinha passado por seis ou sete semanas no Athlete’s Performance para estar no topo da minha condição física. Eu estava com 135 kg, a fazer um treino de peso de alto impacto. Eu estraguei tudo em cerca de três segundos.

A primeira chamada que fiz foi para Luke, e depois para o meu agente de futebol americano.

A única coisa que me manteve inteiro foi o fato de que o meu corpo era bastante rígido.Aquele treino de peso que fiz com Luke salvou a minha vida. Eu ainda consigo falar porque, mesmo eu tendo deslocado o queixo, eu recusei a imobilizá-la. A minha mão estava engessada, o que poderia parar o meu progresso, mas a pior coisa era a minha lesão na virilha. Aquilo iria demorar muito para se curar. Não há uma previsão para isso, não é uma recuperação rápida.

Se eu tinha alguma esperança de fazer parte do roster da NFL, e o mais importante, se eu estava a fugir da WWE, eu sabia que só tinha uma escolha. Lesionado ou não, eu tinha que treinar.

Eu estava muito feliz com o meu progresso no ginásio antes do acidente. Eu estava a levantar halteres de 180 kg, sessões de oito; agachamentos com 400 kg; e mesmo que eu estivesse a pesar quase 136 kg, eu fazia 4.67 segundos em corridas de 40 metros. Aquela era quase a velocidade de um running-back. Eu tinha olheiros da NFL interessados em mim.

Mas agora, com o meu dia como pro a ocorrer daqui por duas semanas apenas, eu estava todo quebrado. Eu acho que talvez Deus quisesse que eu diminuísse o meu ritmo. Eu tinha acabado de sair do pro wrestling, o que eu pensei ter sido algo esperto; mas então eu saltei da minha chopper e parti como se não houvesse amanhã, o que foi algo muito burro da minha parte. Sim, eu queria ser um jogador de futebol americano. Primeiro, eu preciso ter tudo numa perspectiva. Era a altura para eu procurar coisas mais importantes na vida.

Eu regressei a Phoenix e comecei o treino de recuperação. Muita reabilitação— trabalho de massagem, levantamento de pesos, todo o tipo de exercício.

Eu não podia fazer nenhum movimento direcional porque eu quase não conseguia andar por causa da minha virilha. Eu estava com tanta dor que eu nem sequer conseguia correr numa linha reta. Nada de dia como pro para mim.

Três semanas passaram, e o meu peso e os meus números começaram a aumentar, embora a minha virilha estava a curar-se mais lentamente do que eu gostaria. Mas assim que eu pensei ter perdido a minha oportunidade no futebol americano, os Minnesota Vikings telefonam-me.Eles queriam que eu trabalhasse com eles.De jeito nenhum eu iria deixar essa oportunidade passar.



Eu fui direto com os Vikings, e falei-lhes sobre o meu acidente. Quando eu treinei com eles, eu percebi que podia fazer muito melhor se não me tivesse aleijado, e eles decidiram dar-me mais um mês para recuperar, e então eu iria ser avaliado novamente no campo de treinos. As minhas lesões eram tão severas que não tinha como passar oito semanas no acampamento e treinos da NFL, mas o Luke realmente ajudou para que ficasse na melhor forma física que eu pudesse estar, considerando tudo o que me aconteceu.

Assim que eu cheguei ao acampamento de treinos, eu tinha voltado ao Vicodin e aos anti-inflamatórios. Não me orgulho disso, mas é a verdade, e eu não irei amenizar ou escrever porcarias neste livro. Eu passei pelo acampamento de treinos, e eu era provavelmente três quartos do homem que eu costumava ser, talvez menos do que isso. Talvez eu fosse apenas metade do homem que eu costumava ser—mas eu fui apenas o último a ser cortado.

Eu estava orgulhoso de mim mesmo. Haviam pessoas lá que treinaram durante toda a sua vida para estar na NFL, e alguns que foram estrelas nas suas equipas da universidade, e ainda assim foram cortados. Eu joguei um pouco na faculdade, saltei para dentro e para fora da WWE, trabalhei com Luke por algumas semanas, demoli a minha moto, estava magoado por todo o sítio e quase consegui chegar lá.

Eu sei que algumas pessoas não acreditaram na época, mas ser cortado não foi algo que me importou muito. Eu nunca acreditei ser um jogador de futebol americano e apenas estava a tentar fazer qualquer coisa que não fosse pro wrestling. Eu apenas queria mudar tudo na minha vida. Eu cheguei bem longe durante o meu pequeno envolvimento com a NFL, mas quando isso não funcionou para mim, eu tinha que encarar o fato de que estava desempregado,e tinha uma cláusula de não-competição de que eu não poderia ser associado com ou aparecer numa organização de wrestling em todo o mundo. Exceto, é claro, a que era de propriedade de Vince McMahon.

Eu engoli o meu orgulho e pedi para David Olsen entrar em contato com a WWE para mim. Ele disse que Vince não me queria de volta.


Traduzido por: Kleber (nWo4Life)

Adaptado por: FaBiNhO

No próximo capítulo: Brock Lesnar nos contará sobre como pediu Sable em casamento! Se você perder o próximo capítulo, ganhará uma passagem só de ida para Suplex City!